Diáspora Lab 2021 inicia atividades com projetos conectados pela potência narrativa

Nesta segunda-feira (06) o Diáspora Conecta deu início às atividades do programa de tutoria e assessoramento Diáspora Lab 2021.


A abertura do programa contou com a participação dos sócios-diretores da Produtora Portátil, Emerson Dindo e Leandro Santos, coordenadores do laboratório; as consultoras Paula Gomes (BRA), Lara Sousa (MOZ), Xenia Rivery (CUB) e Tanya Valette (DO) e os roteiristas e produtores dos projetos selecionados.


Emerson Dindo falou sobre o desafio de manter o laboratório, que este ano completa três anos, evidenciando a importância do Diáspora Lab em sua vida pessoal e profissional sendo negro no audiovisual brasileiro. E ressaltou que o Diáspora Lab é um espaço onde, sobretudo, as narrativas podem encontrar o apoio necessário para avançar.


"Mais que uma resposta a uma estrutura racista, o Diáspora Lab é um espaço criado para que possamos ter acesso a ferramentas e encontrar terreno para que mais histórias contadas sob a nossa perspectiva possam irradiar", afirmou.


Leandro Santos vê o laboratório como um espaço de diálogo. "Este é um espaço, acima de qualquer coisa, de diálogo e escuta. Tenho certeza que as consultoras, que são mulheres muito generosas e experientes, vão ajudar vocês a encontrarem o melhor caminho para suas histórias", disse.

Abertura Diáspora Lab 2021 aconteceu nesta segunda-feira (06), via plataforma zoom, com a presença dos coordenadores, consultoras e selecionados


 

POTÊNCIA NARRATIVA


As narrativas deste ano trazem histórias muito singulares, mas que tem como pano de fundo a memória e a urgência de potencializar vozes há muito tempo silenciadas. Foi como analisou a comissão de seleção e descreveu as consultoras durante a abertura do programa.


"São documentários muito fortes que nos convida a pensar em que voz queremos potencializar", disse a consultora de roteiro de documentário Paula Gomes. Para Xenia Rivery, consultora de roteiro de ficção, os projetos selecionados estão conectados pela memória porque falam de outro lugar da história, o que fortalece as narrativas. "Acho isso muito importante porque são projetos atuais para este momento que estamos".


Já a consultora de produção de ficção Tanya Valette destacou que o trabalho deste ano é fazer com que o(a) produtor(a) e roteirista estejam conectades durante todo o processo para, enfim, rodar o filme. "É fundamental que ambas as cabeças estejam sonhando e trabalhando para a mesma película", disse.


A fala de Tanya reforça a proposta do laboratório deste ano, que é ter roteirista e produtor(a) atuando juntos no desenvolvimento do projeto.


LABORATÓRIO


Pelo segundo ano consecutivo acontecendo de forma remota, o programa vai assessorar seis projetos (três de ficção e três de documentário) vindos de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina, Paraná e Panamá. São eles: A Mais Forte, de Michel Carvalho e Muriel Alves; Diabos de Fernando, de Caio Dornelas e Carla Francine; Memórias do Olvido, de Yasser Socarrás e Sérgio Anansi; Conexão Brasil-Montreux, de Tila Chitunda e Mannu Costa; Nova Serra Pelada, de Rodrigo Sousa & Sousa e Fran Camilo e BABA, de Harry Oglive e Saide Isaac.


Ao longo de duas semanas os selecionados terão a oportunidade de se aprofundar em seus respectivos projetos, a partir de encontros em grupo e individuais, de modo que, ao final do laboratório devem entregar um dossiê atualizado e um one-sheet, que será entregue aos players que estarão no pitch.


"Estou muito animado de poder dialogar com meus pares sobre esse projeto. Acho que este laboratório vai nos ajudar a ter esse olhar da Bahia, e eu também tenho que melhorar alguns aspectos subjetivos das mulheres que fazem parte dessa ilha", disse Michel Carvalho, que está com a produtora Muriel Alves com o projeto A Mais Forte, seu primeiro longa-metragem de ficção que conta a história de Maria Felipa e seu exército de quarenta mulheres que lutam pela independência.


O roteirista Michel Carvalho e a produtora Muriel Alves conduzem o projeto A Mais Forte


Além das assessorias, este ano, o laboratório oferece três premiações: O Prêmio Miradasdoc, que levará um dos projetos de documentário para participar da próxima edição do Fórum de Coprodução África - América Latina AFROLATAM LAB, com todas as despesas pagas; O Prêmio Chavón, que vai levar um dos projetos a uma imersão na República Dominicana. E o Prêmio Diáspora, que concederá o valor de dez mil reais a um dos selecionados, como estímulo ao desenvolvimento narrativo dos projetos.


O #DiasporaLab é uma realização da Produtora Portátil e conta com apoio da VideoCamp, do Festival MiradasDoc e do NordesteLab.